quarta-feira, 26 de julho de 2017

Tua dureza me parte em pedaços os roço em ti a ver se o valor do roçar te amolece, pra te usar como a cola que me junta inteira de novo. O calor te sufoca, desisto dele, que fiques com o frio que tu não sentes, enquanto trabalho no encaixe dos meus pedaços sem cola. Não me rompo de novo, não me rompes também, desmonto sem dor e me refaço sozinha quando quiser.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ah, me ensine a tocar violão. Por favor, assim por vontade ou até mesmo lhe pago. Quero aprender. Gosta de pão? Faço-lhe pão, quantos por aula, decida você. Ou prefere biscoitos? também sei fazer. sabe como é, o dinheiro anda pouco. Mas é mais que querer Preciso saber tocar violão Tocar-lhe a madeira e a corda pra puxar da alma o que de outra maneira não sei De maneira nenhuma sei. Ando abarrotada destas coisas Da emoção, do engasgo, lágrima ou outra só pela beleza pura que limpa e salga a pele que assa nesse calor. Verão como nunca! Nem chegamos aos quarenta, mas nos cansamos como aos oitenta Ando assim, vendo além da mão, a sombra da luz na pele, cada oscilação da cor... No som, mais que palavras sinto as ondas como as do mar que vejo Lá de cima da ponte até o vento e o movimento parece querer mais que meu simples caminhar quer reembolar no quadril o som, o vento e até o tempo, se você tiver, para o violão
Uma dessas cartas que não posso enviar. Primeiro porque não interessa ao destinatário. Depois, me falta coragem até mesmo de investigar o tal do interesse, de modo que prefiro seguir com minhas suposições e intuições. Voltar à casca, à casa minha de sempre, esconderijo protetor do mundo. Sem exposição, sem Sol, continuo pálida, ou voltarei a ser pálida, como quando nasci. Vai muito fazer falta a areia da praia a roçar na sola dos pés e o teu brilho, Sol, no mar que gosto tanto de olhar. Não sei o que tanto me atrai a água. Viveria imersa. Seja pelo jeito "alga marrom" que dá aos cabelos ou tom esverdeado da pele, a leveza do corpo inteiro... E no mar, teu sal. Pele salgada é mais gostosa. É isso o mar, água e sal. Simples e tudo mais que comporta.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sem mais abraços ou eu sem me importar com o que signifiquem ou quantos haverão após o primeiro. Sem mais abraços ou só o que tem de físico, a temperatura e o tato e o que mais isso me provoque de biológico.
Que os sinta se vierem, que não os busque ou espere mais. Adeus, adeus, adeus! Sem despedidas finais! Que sem ela, ela sempre faltará e, mesmo querendo assim, te digo vá! Vá!

domingo, 11 de outubro de 2009

Já cansei


Já cansei de te esperar

Não quero mais saber de te ligar

Não quero mais me interessar

Mas o problema aí está

que é só querer

não é deixar

quarta-feira, 25 de março de 2009

O menino da camisa de botão

Todo charme do menino estava nos botões da sua camisa, talvez não todo, mas foi o fato de a camisa poder ser abotoada e a idéia de desabotoá-la que lhe chamou a atenção. Não que baste colocar uma camisa sóbria com seis a oito botões para convencê-la a tirar tua roupa; há detalhes no corte da camisa, no tipo do tecido e no material dos botões que fazem toda a diferença. Esse menino, além da camisa sempre limpa e bem passada e do ar elegante que esta lhe conferia, não tinha nenhum outro atrativo para ela. Seus olhos castanhos não tinham nenhum brilho especial, mãos ou braços bonitos, nada. Mas é que botões sempre a fascinaram, adorava os feitos de ossos ou madeira, os de madre-pérola só para roupas femininas, e o movimento com as mãos para tirar da casa um botão lhe parecia bem mais bonito que puxar uma blusa, e o para tirar do menino a camisa mais lento e sensível. Já faz tempo que os meninos não usam mais camisas, ela não perderia aquela.

quinta-feira, 19 de março de 2009


De todos os jardins aquele não era o mais cuidado, mas as plantas aprenderam a cuidar-se sozinhas e talvez ninguém as saiba cuidar melhor. Sozinhas estão melhor, melhor a paz da solidão que admiradores intrusos. É um belo jardim, tão verde a ponto de esverdear os olhos. Sinto falta do jardim. Se pudesse, estaria lá agora, atirada num banco que ainda lhe resta, sentindo a noite me invadir. Hoje é um dia de tristeza e dúvidas, para contrapor os de alegria, dia em que faz falta um abraço e um jardim quase mato. Na solidão do jardim minha solidão é pequena e um abraço confortaria meu sono nesse dia que já se fez noite.